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39 Jan-Dez 1990

 

Composição e confissão os dois processos de Juliano Pavollini.

Rose Marye Bernardi,
p. 9 - 19

Juliano Pavollini insere-se na tradição do romance memoralista, caracterizando-se com uma autoconfissão. Este trabalho, baseado nos pressupostos teóricos de Mikhail Bakhtin, busca mostrar como processo composicional da obra vem determinado pela intensa participação do discurso do outro (a psicóloga Clara) - neutralizando-se a sua aparente orientação monológica. Neste sentido, o discurso e a consciência do suposto-autor voltam-se para a consciência do suposto-autor voltam-se para a consciência do outro, num diálogo implícito mas sempre presente. este processo, trabalhado com maestria pelo escritor Cristovão Tezza, dá à narrativa uma notável particularidade artística, comprovando que a relação do indivíduo consigo mesmo não se separa de sua relação com o outro, que lhe determina, inclusive, a evolução temática da autoconfissão e do autoconhecimento.

Curitiba, teatro e euforia, 1927.

Marta Morais da Costa,
p. 21-45

Curitiba assistiu, durante o ano de 1927, a um intenso desfile de companhias profissionais itinerantes, significativas na história do teatro brasileiro. Com reper'torio predominante cômico, elas se sucederam em dezenas de espetáculos alegres: revistas, comédias, operetas e vaudevilles. Os críticos teatrais registraram nas colunas dos diários curitibanos a recepção e o desempenho dos elencos visitantes. O presente estudo recupera a trajetória destas companhias. São descritas as temporadas da Companhia Tró-ló-ló de Revistas Feéricas, do Circo Teatro Dudu, da Companhia George Urban, na Nacional de Operetas Vicente Celestino, da Grande Companhia de Comédias Procópio Ferreira, da Italiana de Operetas Clara Weiss e da Álvaro Fonseca, num levantamento exaustivo do armário teatral de 1927.

Os jagunços ou os tortuosos caminhos da nacionalidade.

Marilene Weinhardt,
p. 47-62

Euclides da Cunha imortalizou o episódio de Canudos em sua magistral obra Os sertões, publicada em 1902. Mas os acontecimentos ocorridos no interior da Bahia em 1896-97, já tinham merecido representação literária. O monarquista Afonso Arinos percebera o potencial dramático dos fatos e, ainda em fins de 1897, publica, em folhetins diários do Comércio de São Paulo, a "novela sertaneja" Os jagunços, que aparece em livro no ano seguinte. O presente estudo busca apreender a dimensão histórica e estética de tal texto.


Tieta - Telenovela

Pedro Pires Bessa,
p. 63-71

A telenovela é uma parte do mundo mais abrangente da televisão em geral. A telenovela e a literatura levam-nos a refletir sobre a adaptação criativa.

Sou sândrade futurista?

Marcelo Sandmann,
p. 73-94

O presente estudo contrasta a poética do futurismo italiano, extraída de alguns manifestos de Marinetti, com o episódio "Inferno de Wall Street", do poema Guesa Errante, do romântico brasileiro Sousândrade.

Violando Argentina: Informe bajo Llave de Marta Lynch

David William Foster,
p. 95-113

Neste artigo David Foster mostra o autoritarismo como uma forma de erotismo. A violação da personagem Adela por um militar oferece dados para uma interpretação psico-histórica da realidade argentina em um passado recente.

A cafonice vai ao paraíso: A arte tropicália e os primeiros romances de Manuel Puig.

Lidia Santos,
p. 115-134

O movimento Tropicalista brasileiro (1968), não só é contemporâneo aos primeiros romances do escritor argentino Manuel Puig (A traição de Rita Hayworth, de 1968 e Boquinhas pintadas, de 1969), mas também utiliza processos formais semelhantes, como a incorporação do mau-gosto e de cultura média ao texto erudito, enfoque inovador do velho dilema, presente na arte e no ensaio latino-americanos, entre a originalidade e/ou a cópia da nossa cultura.

Ofício de Tinieblas: O interlocutor feminino.

Cecilia Zokner,
p. 135-145

No universo ficcional de Oficio de tinieblaas, romance de Rosario castellanos publicado em 1962, se entrelaçam a ficção e a crônica para falar de índios e de brancos que se opõem nas já conhecidas posições de domínio e de passividade. Aproximar-se, então, do personagem feminino de Ofício de tinieblas é, inevitavelmente, aproximar-se de um mundo dividido entre brancos e índios, entre os que trabalham e os que não trabalham, entre os que possuem e os que não possuem. É, imprescindível, também, aproximar-se da posição que este personagem ocupa na estrutura social e familiar e as relações que se estabelecem. Submetidas por preceitos, preconceitos e pelas leis sociais, são personagens que irão expressar através de gestos, de atitudes e de um discurso que, pelas suas caracter;isticas, se constitui uma expressão, essencialmente, feminina. Estudar esse discurso, sua função no romance e a ideologia nela contida é uma proposta de trabalho do qual as linhas que seguem constituem uma parte: a que enfoca o personagem feminino como interlocutor. Enfoque que será resposta a determinadas perguntas - quem dirige a palavra, a quem a palavra é dirigida, quando, em que espaço e em que circunstâncias - e, sobretudo, irá caracterizar, individualmente e socialmente, o interlocutor.

Da leitura às avessas ao Narciso estilhaçado.

Edson Rosa da Silva,
p. 147-154

Reflexão sobre a narrativa francesa do século XX, através do romance Os últimos dias de Charles Baudelaire, de Bernard-Henry LÉVY. Aspectos pós-modernos. A leitura às avessas Memória e fragmentos. O jogo da escrita reinventando a biografia. Alter-biografia

Traduzir poesia, traduzindo apollinaire.

Juril do Nascimento Campelo,
p. 155-162

Este texto apresenta considerações sobre as dificuldades da tradução poética. No curso de seu desenvolvimento as dificuldades são colocadas em face das possíveis soluções estéticas examinadas a partir dos resultados obtidos pela tradução de alguns poemas do Bestiário de Guillaume Apollinaire.

Henderson the king I: The land.

Sigrid Renaux,
p. 163-183

Tom Stoppard's position within the tradition of contemporary comic drama.

Anna Stegh Camati,
p. 185-200

Em busca do pai. Conflito de gerações na literatura autobiográfica em língua alemã do período de 1971 a 1982

Elvira Horstmeyer,
p. 201-225

Este artigo é um resumo de nossa dissertação de Mestrado, apresentada ao Departamento de Letras Modernas da faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em 1989. É uma análise psicossocial de um corpus de obras autobiográficas, em língua alemã, publicadas nos anos setenta, cujo tema central é o pai do narrador. O estudo revelam microprocessos psicológicos e ideológicos do facismo alemão.

A ironia - Traço estilístico em Thomas Mann.

Ruth Röll,
p. 227-237

O texto focaliza o tratamento da ironia na obra José e seus irmãos, de Thomas MANN, levando em consideração reflexões poetológicas de Friedrich Schlegel, que embasaram a modernidade literária, e considerações do próprio Autor em diversos ensaios.

Thomas Mann: Um clássico da modernidade.

Eloá Heise,
p. 239-246

A modernidade, sinônimo de modernismo, é caracterizada como um movimento difuso no tempo e no espaço, que abarca idéias vindas de muitas fontes mas que, apesar das diferenças, mostram uma rede de interdependências e afinidades. O período é demarcado a partir da virada do século até o início da Segunda Guerra Mundial e representa não só uma crise na história do humanismo ocidental, mas também a consciência dessa crise. Assim suas formas são sempre as mais contundentes e críticas como a paródia ade um T. S. Eliot, a fragmentação estética de um Proust o absurdo existencial de um Kafka.

O jogo da escritura.

Celina Moreira de Mello,
p. 247-258

O conceito de jogo, analisando à luz da antropologia, faculta-nos percorrer o jogo de substituições que, das origens da filosofia aos primórdios da pscicanálise, evidencia o descentramento do Sujeito. o jogo da escritura e o jogo da leitura, para além da classificação proposta por Roger Caillois - Argôn, Mimicry. Alea, Vertigem - aparecem não somente como um contrato, mas como espaço de uma oscilação do Sujeito, fragmentando-se e tecendo-se, simulando que pode competir com o acaso, para fugir à vertigem da impossibilidade de seu ser real.

A literatura na escola.

Paulo Venturelli,
p. 259-269

Normalmente, as discussões sobre o ensino de literatura perdem-se em considerações teóricas. Procurando contornar este problema, fazemos uma proposta compreendida em dois eixos básicos: num primeiro momento, a atenção estará voltada para o estudo do texto enquanto produto estético, quando tentaremos diagnosticar sua especificidade poética; num segundo momento, faremos as interferências sociológicas, psicológicas, políticas, etc. que se fizerem necessárias, em razão do que, cronologia e movimentos não terão peso, porque nosso interesse será a sincronia.

Drama in the language clasroom.

Margarida Gandara rauen,
p. 271-287

Este trabalho apresenta os princípios técnicos para o uso de drama em ensino de idiomas, incluindo exemplos de exercícios especialmente úteis para a complementação de qualquer programa de línguas, independentemente de aspectos metodológicos.

Críticas ao Aurélio.

Antônio José Sandmann,
p. 291-297

No trato tioturno com a formação de palavras novas no português brasileiro contemporâneo as consultas ao Novo Dicionário Aurélio da língua Portuguesa têm sido uma constante. Pois bem, esse folhear constante do Aurélio nos tem levado à descoberta de numerosas lacunas ou falhas e de falha sistematicidade, como por exemplo de passável das a estrutura (passar + ável), de amável das só a origem latina (amabile) e de analisável não dar nem a origem nem a estrutura.

A meada lexicográfica.

Geraldo Mattos,
p. 299-337

Este artigo examina as dificuldades que um lexicógrafo encontra na redação de cada verbete, procurando mostrar os principais defeitos que ocorrem na maioria dos dicionários principalmente aqueles que decorrem de uma falta de adequação entre a linguagem e a clientela a que visam. Procura encontrar uma metodologia que possa evitar as armadilhas comuns na conceituação dos verbetes, para conseguir o maior número de informações com o menor número de acepções, distinguindo o significado de uma palavra e o uso dela e desprezando toda significação motivada oelo ambiente en que se fala.
La jena tetsko pritraktas la praktikon leksikografian, kaj esploras la plej bonan vojon al tiu agado per la konscia celo al la koncernata publiko kaj per prudenta distingo inter vortosignifo kaj vortouzo.